
O edifício onde atualmente está instalada a República 14 foi mandado construir em meados do século XIX pelos Condes d’Alte, tendo sido concebido originalmente como residência familiar.
De estilo eclético romântico — expressão da tendência oitocentista para a fusão de referências arquitetónicas do passado — o edifício afirma-se como uma linguagem arquitetónica inovadora no contexto local, não encontrando paralelo na cidade de Olhão. A sua construção recorreu ao sistema da gaiola pombalina, uma solução estrutural antissísmica desenvolvida na Baixa Pombalina de Lisboa após o terramoto de 1755.
Foi neste edifício que nasceu, a 6 de março de 1893, o Dr. Bernardino da Silva, ilustre médico e reconhecido benemérito da cidade de Olhão.
Em 1932, a Sociedade Recreativa Olhanense tornou-se arrendatária de parte do edifício. Trata-se de uma das mais antigas agremiações recreativas do Algarve e do país, de carácter marcadamente elitista, conhecida popularmente como a “Recreativa Rica”, em virtude dos rigorosos critérios de admissão de novos sócios e das elevadas exigências financeiras. Ainda assim, desempenhou um papel relevante na vida cultural e social da cidade, afirmando-se como um importante polo de convívio, cultura e entretenimento.
Em 2014, na sequência de um processo judicial motivado pelo incumprimento do pagamento das rendas — que haviam sido atualizadas no final de 2012, passando de 9 euros mensais para pouco mais de 500 euros — a Sociedade Recreativa Olhanense entregou o edifício à proprietária, encontrando-se este em avançado estado de degradação.
No final de 2017, um grupo de cidadãos fundou a Associação Cultural República 14, devolvendo vida ao edifício e reafirmando-o como um espaço de fruição cultural, agora aberto a toda a comunidade.